Liberdade Sobre Quatro Rodas

O skate me ensinou a ser um pouco mais paciente." A frase parece simples, mas resume uma transformação que foi muito além das manobras. Antes, a pressa fazia parte da rotina e a vontade era de conquistar tudo "pra ontem". Foi justamente durante a busca por acertar um Flip que veio uma das maiores lições da vida: entender que evolução exige tempo. O skate deixou de ser apenas um rolê e passou a moldar a forma de enxergar o mundo.

A rua como escola

Muito antes de subir no shape, ele já admirava a cena local. A cidade respirava skate e era impossível não parar para assistir os manos mandando suas linhas. Henrique, Sandro, Saulo, Valtinho, Gabriel Miguelito, Mathias, Wilson, Mayke, Fefe e tantos outros fizeram parte daquele primeiro contato que ficou marcado como "amor à primeira vista". Ver aquela rapaziada manobrando despertou uma vontade que nunca mais foi embora.

O primeiro empurrão veio de casa. A mãe foi a maior incentivadora, mesmo quando a condição financeira dificultava comprar um skate. O destino acabou dando uma força quando um amigo da família presenteou o próprio carrinho e ainda incentivou a seguir em frente. "Um salve pro Cabrito e João Marcel." Desde então, ele resume a caminhada de um jeito simples: "Tô no carrinho até hoje

Sessões que ficam

Se existe um lugar que representa essa trajetória, ele atende pelo nome de Praça 14 de Novembro, no centro histórico da cidade. Foi ali que aconteceram incontáveis sessions, amizades verdadeiras e até os famosos enquadros que fazem parte da realidade de quem vive o skate de rua. Muito mais do que um pico, aquele chão virou ponto de encontro, palco de evolução e espaço onde histórias foram escritas a cada remada.

E quando a conversa é sobre o que a rua ensina, não existe dúvida. "Humildade e muita paciência." Lições que não aparecem em sala de aula, mas que surgem naturalmente entre uma tentativa, uma queda e outra.

Quando tudo parecia acabar

Nem toda sessão termina em comemoração. O momento mais difícil veio com uma lesão séria no joelho. A recuperação foi tão complicada que ele precisou aprender a pisar no chão e caminhar novamente. Durante esse período, o pensamento era inevitável: "Pensei que nunca mais iria andar de skate."

Mas quem vive o skate aprende que cair faz parte do processo. Levantar também. A mesma paciência construída durante as tentativas do Flip foi essencial para enfrentar a recuperação e voltar a fazer o que mais ama.

Muito além do shape

Hoje, a motivação continua firme. Além da paixão pelo skate, existe um objetivo claro: seguir o caminho rumo ao profissionalismo. Acima de qualquer resultado, porém, o skate ganhou um significado impossível de medir.

Liberdade, liberdade criativa, liberdade de locomoção, liberdade de só sair remando por aí quando dá na telha

No fim das contas, é isso que permanece. Mais do que acertar manobras, colecionar sessões ou superar lesões, o skate continua sendo o lugar onde ele encontrou sua própria forma de viver, evoluir e ser livre.