JÚNIOR BAHIA — O SKATE MUDA VIDAS
Pedi emprestado e dei as primeiras remadas e nunca mais parei.” Em 1997, em uma rua de Belém do Pará, uma simples sessão de alguns moleques andando de skate mudou o rumo da vida de Júnior Bahia. O que começou com curiosidade, enquanto andava de bicicleta pelo bairro onde morava, acabou virando muito mais do que um esporte. Virou caminho, profissão, estilo de vida e uma forma de enxergar o mundo.

As primeiras remadas
Nascido em Belém do Pará, Júnior lembra que tudo aconteceu de forma simples. Ele viu alguns moleques andando de skate na rua, parou para assistir e pediu um skate emprestado. Vieram as primeiras remadas — e, junto delas, uma história que continua até hoje.
Nessa caminhada, algumas pessoas tiveram papel fundamental. Gustavo Vidal, Michel Frank (Babú), Hugo Brandão (Mascote), Junior Delorto, Marivaldo (Porcão), Waldemar Santos (Bolota), Marcos Ferreira (Doug), José Monteiro (Zé) e Joelson Batman foram amigos que incentivaram Júnior desde os primeiros passos e que, segundo ele, continuam sendo seus amigos até hoje.
A rua como escola
Para Júnior, a rua vai muito além de um lugar para andar de skate. É um espaço onde se aprende na prática, onde cada sessão traz uma experiência diferente. “Ensina lições práticas que os livros didáticos não conseguem cobrir”, conta.
A rua, para ele, deixa de ser apenas um lugar de passagem e vira um “palco vivo”. É ali que entram o respeito à diversidade, o olhar criativo, o suporte mútuo, a malícia das ruas e, principalmente, o desenvolvimento de um estilo próprio.
Essa vivência também atravessou os limites do skate. Fora das pistas, o skate abriu caminhos que Júnior talvez jamais conhecesse. Foi através dele que se tornou professor de Educação Física e aprendeu a ter persistência para correr atrás dos próprios objetivos.
Tombos fazem parte

Como todo skatista sabe, nem toda session termina em pé. Em 2001, Júnior viveu um daqueles perrengues que ficam marcados na memória: uma queda que deslocou seu cotovelo e acabou levando a uma cirurgia. Foram cerca de dois meses sem andar.
Mas ficar longe do skate não era tão simples assim. Mesmo com o braço engessado, ele dava um jeito de sair com o skate para pelo menos fazer um passeio. “Foi foda!, lembra
O skate não para
Hoje, o skate continua sendo parte essencial de quem Júnior é. Entre suas referências estão os vídeos de skate dos anos 90 e os sons alternativos daquela época — influências que continuam alimentando sua vontade de andar. E quando fala sobre o que o skate representa atualmente, a resposta vem sem rodeios: “Meu estilo de vida, meu modo de ser e sem o skate eu não vivo!” De uma rua em Belém, em 1997, até todos os picos que marcaram sua caminhada — Praça Roosevelt, pistinha da Mooca, pista do Morcegão e Quadrinha Life — ficou uma certeza: o skate não foi apenas algo que Júnior aprendeu a fazer. Foi algo que ajudou a construir quem ele é.
