NÃO ABAIXA A CABEÇA
Não quero ser o melhor, mas quero dar o meu melhor.” É nessa ideia que esse skatista construiu sua relação com o skate. Uma caminhada feita de tentativa, erro, persistência e muita session com a galera. Porque no skate nem sempre a trick vem no pé de primeira — e, para ele, é justamente aí que começa o aprendizado.

Tudo começa no chão
Antes das sessões, vieram os videogames. No auge dos Tony Hawk’s no PS2, o skate já despertava sua curiosidade. Ele comentava sobre o assunto com os parentes até que, certo dia, seu vizinho e patrão lhe deu um skate. Foi o suficiente para entrar de vez nesse mundo de “canela machucada e ralados nas costas”.
Desde então, o skate foi deixando marcas que vão muito além dos ralados. A principal delas foi a resiliência. Ele aprendeu que nem sempre a manobra vai sair no pé e que isso não significa que o rolê foi ruim. “Continue tentando, repita até acertar”, resume. No skate, persistência e constância fazem parte da caminhada.
Vale, Praça e último trem

Entre os picos que mais marcaram sua trajetória estão o Anhangabaú e a Praça Roosevelt. E não era passeio de fim de semana. Toda semana, ele e sua galera saíam bem cedo e só voltavam no último trem do Brás.
Era trick a tarde inteira. Das escadas do Vale até o solo da Roosevelt, cada canto virava parte da session. E até aquela “rampinha” da Roosevelt, que ele faz questão de lembrar, tinha seu espaço no rolê: “Aquela rampinha é monstra também”.
A rua cobra atitude
Na rua, as regras são outras. Para ele, “folgado não tem vez”, mas existe também um lado de incentivo que faz diferença. Mesmo quem está começando pode encontrar alguém disposto a elogiar, incentivar e fortalecer.
Mas a rua também mostra que nem todo mundo está do lado dos skatistas. E é aí que vem uma das lições que ele carrega: “Não abaixe a cabeça, porque só nós fazemos o que fazemos e isso é orgulho.”
Sempre tentar de novo
Hoje, o skate é literalmente seu estilo de vida. As ruas podem ser lisas ou esburacadas, o game pode ser ganho ou perdido, mas sempre existe a possibilidade de tentar novamente.
A motivação vem dos amigos, da família e dele mesmo. Vem também da energia da galera quando uma trick encaixa e todo mundo vibra junto. E, nesse caminho, até os momentos parados fazem parte: uma torção no pé ou alguma lesão que exige repouso também são capítulos da caminhada.
No fim, o skate permanece como uma escolha diária. Não pela busca de ser o melhor, mas pela vontade de entregar o melhor possível. Porque a próxima tentativa sempre está ali. Quer a trick no pé? Continue tentando.
