Skate Salva
Skate é vida e salva vidas." Não é só uma frase de efeito. É a conclusão de quem teve a personalidade moldada em cima do shape e encontrou no skateboard muito mais do que um esporte. Foi ali que aprendeu a enfrentar o desconhecido, ganhou confiança para lidar com os problemas e descobriu um caminho para a felicidade em meio às pressões do dia a dia. "O skateboard praticamente moldou quem eu sou hoje. Me ensinou metade do que sei." Para ele, o skate também é cura, paixão e um estilo de vida que atravessa gerações.

Mas a história começou ainda antes. Um álbum de figurinhas, revistas como Skatin, OverAll, YEAH e Vital Skate alimentaram a curiosidade. Depois veio o amigo Gilson com um skate improvisado, feito à mão, usando um pedaço de compensado e rodas reaproveitadas de um par de patins. "E daí era só alegria, mesmo sem saber nada!", relembra.
A rua ensina
Para quem cresceu vivendo o skate de verdade, a rua continua sendo a maior professora. "Convívio, respeito e solidariedade" são as primeiras lições, mas existe algo que só o asfalto ensina: ficar "véiaco", atento a tudo e pronto para improvisar. É esse tipo de vivência que forma um skateboard adaptável, capaz de enxergar obstáculos onde muita gente só vê concreto.

Feito em casa
Antes das pistas de concreto e dos campeonatos, a diversão nascia da criatividade. Entre todos os picos que marcaram sua caminhada, nenhum supera as primeiras mini-ramps construídas em casa e a lendária Wind Company Park, o primeiro skatepark todo de madeira que ele e os amigos levantaram nos fundos de uma skateshop. Mais do que uma pista, aquele espaço virou escola. Foi ali que descobriu novas possibilidades, evoluiu tecnicamente e fortaleceu os laços que carrega até hoje.

Boa parte dessa evolução também veio pelas mãos de quem acreditou nele desde cedo. Gilson despertou a vontade, Albery apresentou o universo do equipamento e da cena, enquanto Joelcio "Batman", Marcos "Robô" e Nelson "Cão" construíram sua primeira mini-ramp sem pedir nada em troca além do direito de andar nela. Foram esses mestres que mostraram o nível técnico que ele queria alcançar.
Entre tombos e recomeços
Nem toda sessão termina com comemoração. Um dos momentos mais pesados aconteceu por volta dos 20 anos, tentando um 180° nose grind em um corrimão de praça. O truck escapou e ele caiu de costela sobre o ferro. A lesão atingiu o pulmão, exigindo drenagem no hospital e dois meses longe do skate. Um daqueles tombos que colocam qualquer um para pensar.
Mesmo assim, parar nunca foi uma opção. Ou melhor, nem uma possibilidade. "Pra falar a verdade eu acho até que nada me motiva... eu simplesmente não consigo parar de andar e ser 100% feliz sem skateboard."

O que fica
Hoje, o skate continua ocupando todos os espaços da vida. É diversão, profissão como instrutor e árbitro formado pela CBSK, fonte de renda, amizade e memória. Os melhores amigos seguem ao lado desde a infância, e os melhores momentos continuam acontecendo sobre o shape. Afinal, quando o skate deixa de ser apenas um esporte e passa a moldar quem você é, não existe linha de chegada. Existe apenas o próximo rolê.
O patrocínio da Menem Skateboard e o grande apoio da Lifestyle Skates, possibilitam eu continuar meu rolê da melhor forma.
Créditos das fotos: Foto 1: Marivaldo Silva Foto 2: Leo Barreto Foto 3: Fernando Moraes Foto 4: Michel Frank Foto 5: Shinji Shiozaki
