Muito Além do Shape

Hoje em dia é só skate e trabalho." A frase resume uma caminhada que começou mais tarde do que a maioria, mas que encontrou no skate muito mais do que um esporte. Enquanto muitos sobem no shape ainda crianças, ele deu os primeiros passos aos 18 anos. Antes disso, a rotina era outra: ficar na rua, fazendo alguns corres, sem muita direção. Foi justamente nesse momento que o skate apareceu como uma verdadeira válvula de escape e mudou completamente o rumo da história.

Virada de Chave

O skate entrou na vida dele através das amizades e da admiração pela arte de acertar uma manobra. Ver alguém mandar bem despertou a vontade de tentar também, e bastou a primeira sessão para perceber que aquele caminho fazia sentido. A inspiração veio de nomes importantes do seu convívio, como Agnus Smit, Japa da MSG, Sorvete e Diego, que ele faz questão de chamar de "paizão do skate", além do apoio da própria família.

Mesmo começando mais tarde que a maioria da quebrada, isso nunca virou desculpa. Pelo contrário, cada sessão foi encarada como uma oportunidade de evoluir e construir uma nova história.

A Rua Ensina

Se existe uma sala de aula que marcou sua formação, ela foi o asfalto. Para ele, a rua ensina o que nenhuma escola consegue passar da mesma forma: "disciplina, paciência, humildade, saber chegar, saber sair... o básico, mas de uma forma mais bruta." São lições que vão muito além da manobra e acompanham qualquer rolê da vida.

Entre todos os picos, um ocupa um lugar especial na memória: o lendário Vale do Anhangabaú, com as famosas "bordas de chocolate". Um cenário que já fez parte da história de tantos skatistas e que também deixou sua marca na trajetória dele.

Pelos Corre

Nem todo rolê termina com comemoração. O skate também cobra resistência. Ele lembra de viagens em que precisou dormir em praça para conseguir chegar a um campeonato. E quando finalmente chegava, ainda podia acontecer o pior: "quebrar o skate, não ter o dim nem da passagem, não ter rango, só olhar e não poder andar." São histórias que qualquer skatista de rua entende e que mostram o quanto a paixão fala mais alto do que qualquer dificuldade.

Ainda assim, o que mantém a chama acesa nunca mudou. "O amor pelo skate. Uma das melhores sensações é acertar a manobra, e estar tentando já é bom demais.

Os Irmãos da Rua

Hoje, quando olha para trás, ele não mede palavras para definir o que o skate representa: "Tudo." Mesmo sem o apoio de grandes marcas, encontrou algo que considera muito maior. "Não sou patrocinado por marcas, mas tenho uns irmãos de rua que são melhores que qualquer patrocinador."

No fim das contas, o skate não foi apenas um hobby ou um esporte. Foi o caminho que tirou um jovem da rua, apresentou uma família construída no concreto e mostrou que as maiores conquistas nem sempre vêm em forma de contrato, mas sim das amizades, das sessões e da certeza de que cada manobra acertada vale a caminhada inteira.